BOTIJA DOS POVOS: mediação para resistência dos povos e comunidades tradicionais

  • Autor
  • Mauricio Herrera Jaramillo
  • Co-autores
  • Itamar Lima , Verlane Santos
  • Resumo
  • Partindo de uma realidade comum a povos e comunidades tradicionais (NOGUEIRA, 2021) — marcada pela desmotivação das novas gerações com a história local e pelo manifesto desprezo pela terra e o desejo de migrar rumo ao 'mundo das mercadorias' — discutimos o papel da educação e da extensão modernas como instrumentos de desvalorização dos modos de vida tradicionais. Tais práticas reforçam o modelo de 'educação bancária' criticado por Paulo Freire (1977). Em contrapartida, sob a perspectiva da Educação Ambiental Crítica (COSTA; LOUREIRO, 2013), apresentamos o programa Botija dos Povos. A iniciativa propõe formas alternativas de mediação (BOLAÑO, 2024) baseadas em tecnologias digitais, visando promover o diálogo de saberes intergeracionais para analisar criticamente a realidade e construir resistência comunitária ante as pressões individualistas do capital.
    Educação e deslegitimação dos modos de vida tradicionais.
    No alvorecer do século XXI, a escola moderna ocidental consolidou-se como instituição compulsória, sob a premissa de erradicar o trabalho infantil e promover a ascensão social das famílias rurais via emprego. Contudo, essa estrutura institucionalizou a imposição da cultura ocidental moderna por meio da 'educação bancária' (FREIRE, 1977). Esse modelo aprofundou a ruptura metabólica — fenômeno já assinalado por Marx (CALDART, 2024) — ao promover o desligamento simbólico e prático das novas gerações de seus territórios ancestrais, erodindo o desejo de luta pela terra.
    O resultado dessa ruptura metabólica é o desejo dos jovens de abandonar a terra, em busca de alternativas que lhes permitam sobreviver, mas com resultados mais rápidos, ou, em termos mais adequados à modernidade, que tenham um retorno mais rápido. Enquanto o ciclo da mandioca exige um ano, o emprego na indústria promete a liquidez mensal do salário — uma segurança aparentemente mais estável e menos penosa que o labor na terra.
    Botija dos povos: por uma educação que comunique
    É preciso compreender que a ruptura intergeracional em questão não se resume ao fato de os jovens não quererem mais ouvir os mais velhos; não, o problema é muito mais profundo. A imposição do modo de vida capitalista moderno contribuiu para a desvalorização e deslegitimação do modo de vida tradicional das comunidades ligadas à terra, com o objetivo de impor um modo de vida que rompesse, de uma vez por todas, o vínculo que essas comunidades tinham com a natureza, sobretudo com a terra, com a água, com a vida.
    Nesse cenário, emergiu o programa Botija dos Povos, uma construção coletiva entre pesquisadores e comunidade. A iniciativa, nascida de uma demanda local, materializou-se em cinco episódios de podcast distribuídos via WhatsApp. Como proposta de educação popular, o projeto busca comunicar a história da luta pela terra em Santana dos Frades às novas gerações. O objetivo não é a mera transmissão unilateral de saberes, mas a construção de um diálogo que promova a compreensão coletiva da realidade compartilhada — combatendo os fatores que hoje contribuem para a sua desintegração. O Botija dos Povos configura-se, assim, como um exercício comunicativo de resistência ancorado na memória coletiva, realizado com recursos do licenciamento ambiental federal (IBAMA), via Fapese/PEAC.
  • Palavras-chave
  • Mediação, modo de vida, ruptura metabólica, modernidade,
  • Modalidade
  • Comunicação oral
  • Área Temática
  • Sessões Especiais em "Comunicação e Extensão"
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